
Ganho de servidores cresceu 31% contra 13% de empregados
particulares
Diferença se acentuou em 2006 quando petista fez primeiro
pacote de reajustes generalizado para o funcionalismo
GUSTAVO PATU
DE BRASÍLIA
PEDRO SOARES
DO RIO
Os mesmos dados que mostram a queda do desemprego e o aumento da
renda ao longo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva também apontam, ao serem decompostos, o aumento da
desigualdade entre o emprego público e o trabalho no setor
privado.
Segundo levantamento feito pela Folha a
partir das pesquisas mensais de emprego do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), os rendimentos médios
dos servidores públicos federais, estaduais e municipais, que já
eram superiores, cresceram ainda mais que os da iniciativa
privada nos últimos oito anos.
As diferenças começaram a se acentuar em 2006, ano em que a
administração petista lançou o primeiro de dois pacotes de
reajustes salariais generalizados para os funcionários do Poder
Executivo. Governadores e prefeitos também aproveitaram os
ganhos de receita para beneficiar o funcionalismo.
Em valores corrigidos pela inflação, o rendimento médio mensal
no setor privado, incluindo assalariados, autônomos e
empregadores, era de R$ 1.173 em dezembro de 2002, às vésperas
do início do governo Lula.
De lá para cá, um aumento de 13% levou o valor a R$ 1.323 em
novembro passado, pela pesquisa feita nas seis principais
regiões metropolitanas -São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Recife.
No mesmo período, a renda no serviço público, formada
basicamente por salários, teve expansão de 31% acima da
inflação, passando de R$ 1.909 para R$ 2.494.
SINDICALISTAS:
As tabelas de remuneração do Executivo federal, publicadas
periodicamente, apresentam cifras maiores e exemplos mais
concretos dos ganhos obtidos pelo funcionalismo, cujos
sindicatos estão entre as principais bases políticas do PT.
Uma disputa entre as carreiras da elite da administração direta
levou os salários máximos pagos regularmente pelos ministérios
para perto dos R$ 20 mil mensais atualmente.
Desconsiderando perdas em gestões anteriores, os salários de
advogados da União, auditores-fiscais, diplomatas e gestores
foram elevados em quase 70% acima da inflação no governo Lula,
aproximando-se do topo do Executivo, ocupado pelos delegados e
peritos da Polícia Federal.
Segundo o IBGE, o contingente de servidores federais, estaduais
e municipais também cresceu nos últimos anos e atingiu 3,4
milhões de pessoas nas seis regiões.
Cerca de 65% deles eram contratados pela regras do regime
estatutário do funcionalismo e militares; os demais tinham
vínculo temporário ou regido pela CLT.
Para Cimar Azeredo Pereira, gerente da Pesquisa Mensal de
Emprego do IBGE, houve nos últimos anos "uma valorização clara"
do serviço público, que resultou no crescimento do contingente
de empregados.
Tal tendência, afirma, só foi interrompida pela crise, que
repercutiu em 2009 e no início deste ano. Mas em meados de 2010,
diz Pereira, o efetivo de trabalhadores voltou a subir.
O mesmo, diz, ocorreu com os rendimentos, que avançaram com
reajustes maiores a servidores concedidos nos últimos anos.

Acesse a fonte
da reportagem:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/850794-sob-lula-cresce-desigualdade-entre-salarios-publico-e-privado.shtml
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